Nesta vasta terra, toda criatura viva possui a chance de se transformar em dragão. Dizem que cada ser tem seu próprio portão do dragão, e ao atravessá-lo, brilha com o esplendor do sol e da lua nos cé
A escuridão infinita cobria aquela terra, e as tênues luzes das estrelas, junto aos lampejos das vagalumes entre as florestas, eram das poucas claridades que restavam naquele mundo. A noite vinha com névoa, como um véu diáfano pousado sobre uma cidade de tons cinza e branco.
No centro da cidade, erguia-se uma escultura graciosa e imponente, visível a qualquer um que adentrasse e erguesse um pouco os olhos. Ela desprendia, em meio à penumbra, um brilho singular, pálido e sagrado como o luar noturno; seu rosto, perfeito e majestoso, fazia com que todos os recém-chegados prendesse a respiração sem querer.
A escultura era de um realismo impressionante, como se a deusa que vigia a noite estivesse envolta em um manto de névoa e luar, com um corpo sedutor e insinuante que, velado na penumbra, tornava-se ainda mais fascinante.
Ainda assim, mesmo diante de tal beleza, os habitantes da cidade não ousavam alimentar desejos profanos. Ela era a soberana daquele lugar. Não representava esperança, fé ou liberdade, mas sim guerra e morticínio. Chamavam-na de Valquíria – foi ela quem, em apenas um ano, domou aquela terra selvagem e caótica.
Sob seu domínio, a cidade e os territórios vizinhos finalmente conheceram um fiapo de ordem e o surgimento de leis regulares.
Os guardas da cidade mostravam-se displicentes, ignorando todos que por ali passavam, inclusive bandos de mendigos andrajosos que se aglomeravam e invadiam a cidade aos montes.
Zhu Minglang perambulou por longo tempo diante do portão. Ao avistar aquele grupo de mendigos, rapidamente se mistur