Sou um Mestre da Interpretação

Sou um Mestre da Interpretação

Autor: Chen Benchi
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Na vida anterior, foi alguém medíocre e sem grandes feitos. Na existência seguinte, por um acaso do destino, ao experimentar uma inesperada sensação de revelação, viveu momentos inesquecíveis que, de

Capítulo Um: Uma Nova Celebração

Hé Xin sempre dormia com o sono leve; qualquer ruído bastava para acordá-lo. Nesses dias, o vento em Pequim estava forte; talvez mais uma coisa tivesse sido derrubada no quintal. Ele olhou pela janela e viu que já estava clareando. Fechou os olhos e cochilou mais uns dois ou três minutos antes de sair debaixo das cobertas.

Com a chegada de março, o tempo começava a esquentar dia após dia. Hesitou por um ou dois segundos, mas acabou tirando a calça térmica debaixo do jeans e vestiu um suéter surrado, já sem elasticidade, que trazia uma sensação de leveza, embora estivesse um pouco frio.

Ao abrir a porta, o ar gelado invadiu o quarto, levando junto o calor abafado e despertando-o de vez. Com a bacia, a toalha, pasta e escova de dentes nas mãos, saiu para o quintal, onde ainda reinava o silêncio. Naquele dia, Hé Xin levantara cedo; pelo céu, calculava que não passava das seis horas.

Morava num grande cortiço na zona de transição entre o campo e a cidade, no lado oeste de Pequim, não muito longe de Zhongguancun. Quase todos os inquilinos dali viviam de “bicos” na região, Hé Xin inclusive; a empresa de entregas para a qual trabalhava ficava em frente ao mercado de informática de Zhongguancun.

Agachou-se no velho registro coletivo de água para se lavar e, depois, pegou a garrafa térmica do quarto, jogou fora a água do dia anterior, encheu de novo e ligou o aquecedor. Em menos de cinco minutos, a água já estava fervendo.

Sobre a mesa, ainda restava meia tigela de arroz frio. Derramou água quente por cima, rasgou um pacote de conserva de legumes e m

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